terça-feira, 13 de março de 2012

Capítulo VI - O Reencontro


Após cruzar uma cidade a pé, Borislov chega após muitos anos á sua cidade natal. Esta estava praticamente deserta e totalmente destruída. No chão viam-se corpos e cabeças.
Ao chegar ao castelo, Borislov fica petrificado, não acredita no que vê. Suas lindas flores e a claridade que existia haviam sumido. O limo escorria pelas paredes, um raio cruzava o céu e uma tempestade iniciava-se. Borislov, após atravessar a ponte com sacrifício, bate à porta e em seguida uma voz trêmula diz:
- Sim o que desejas?
Borislov com ar de felicidade diz:
- Alô Jaives! Não me reconheces?
O Mordomo abre os olhos e diz:
- Um milagre! Deus enviou o bondoso Borislov para nos salvar! Entre senhor, o castelo é seu!
Borislov emocionado diz:
- Obrigado Jaives, mas onde está Badslov?
Jaives receoso diz:
- No escritório, meu Senhor!
O bondoso Borislov entra no escritório. Lá dentro estava muito escuro, então, em meio a estatuetas de demônios surge a vil imagem de Badslov. Enfim, os irmãos se reencontraram. Será que Borislov será feliz nas mãos de Badslov? Lendo o resto do livro tu saberás!
Borislov em um gesto de ternura estende os braços a Badslov. Naquele momento a luz circula a cabeça de Borislov e ouvem-se pelo castelo músicas da igreja. Badslov então se aproxima friamente, e ao chegar bem perto diz com uma voz sádica:
- Que bom que voltou doce e amável irmão!
Neste momento trombetas infernais soaram pelo saguão do castelo, Borislov apavorado com a fisionomia maléfica de Badslov diz:
- Estou... Muito... Feliz... Em vê-lo... Irmão!
Assim Badslov diz:
- Você sabe onde fica o seu quarto. Ele ainda está lá!
E retirou-se cantando sua adorada marcha fúnebre. Naquela noite o pobre Borislov não conseguiu dormir, e de trás de um quadro, Badslov passou a noite observando o irmão, na sua cabeça só existiam planos para maltratar Borislov.
Só Jaives sabia da existência de Borislov no castelo, pois os demais criados já haviam se recolhido. Você leitor não imagina a confusão que isto causará!
Ao amanhecer, como de costume, Badslov acordou muito cedo, vestiu a capa, colocou a espada na cintura, chutou Satã e desceu as escadas. Ao chegar no meio desta, todos os criados deveriam estar ajoelhados em grãos de milho vestidos com roupas pretas. Então Badslov abriu a sua capa, ergueu a espada e disse:
-Ninguém! Eu disse ninguém me vencerá! Ninguém!
Isto era para assustar os criados, pois tinha medo de outra revolta.
Assim escolhia um criado para servir-lhe o café. Este consistia em cinqüenta taças de vinho servidas em uma bandeja. Das cinqüenta, ele bebia apenas uma, quarenta e oito jogava no criado e a ultima deixava cair em si mesmo para dizer que a culpa fora do criado, que era levado à sala de torturas.
Badslov dava-lhe cem chicotadas nas costas e depois colocava uma porção de sal e um copo de soda cáustica nas feriadas em carne viva, além disto, arrancava toda a sobrancelha do pobre, que na grande maioria das vezes se matava após tanto sofrimento.
No castelo haviam muitos criados, cada um desempenhava certa minúscula função, porém o seu sofrimento não compensava esta “vida” mansa. Chegava a morrer um criado por semana, então, Badslov tinha que trazer à força outro dos povoados vizinhos.
Ao acordar naquela manhã, Borislov recebeu o seu café no quarto servido por Jaives, o único que sabia da sua existência. Depois disso levantou-se e foi dar uma caminhada pelo castelo. A cada criado que passavam, este se ajoelhava a seus pés, Borislov imediatamente os levantava dando-lhes amizade e compreensão. Depois de alguns minutos foi deitar-se novamente.
Quando Badslov passou pelos criados percebeu que muitos deles não estavam se curvando e um deles com muita intimidade disse:
- Aí meu chapa! Tudo bem?
Naquele momento, os olhos de Badslov ficaram vermelhos, ele começou a bufar, abriu a capa, ergueu a espada e disse:
- Ninguém! Ninguém deve me desrespeitar, ninguém! Repito! Cortando a cabeça do criado com a espada e jogando-a para as piranhas do castelo. Durante uma semana esta cena repetiu-se. Foi quando Borislov se deu conta do que estava acontecendo e teve uma idéia, ele sempre se vestiria de branco, e o irmão, de preto. Então ele aprensentou-se para os criados e um problema foi resolvido.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Capítulo V - O Castelo e o Mosteiro


O belíssimo castelo da família Godsly, que ficava no alto de uma colina e era cercado por um condado, hoje é o local onde vivem Badslov, Satã, Jaives e três mil e quinhentos criados.
O ambiente daquele lindo castelo transformara-se, tornou-se um local horrendo, o que antes eram petúnias, macieiras e flores de todos os tipos, agora eram urtigas, árvores secas e plantas carnívoras. O limo escorria pelas paredes, o local era o típico castelo do Drácula, sombrio e sinistro.
Badslov, com o temor de uma revolução no condado, pôs em volta do castelo muitas armadilhas, bem como um riacho artificial que passava sob a ponte. No riacho haviam muitos jacarés e piranhas.
Os criados deste castelo penavam nas mãos de Badslov e não recebiam a quantia que pagasse tanto sofrimento, isto quando não eram assassinados pelo conde no dia do pagamento.
Aos vinte e cinco anos, inspirado no livro “Um Espião no Castelo”, Badslov decidiu modificar seu diabólico lar. No original foram acrescentados alçapões, passagens secretas, armadilhas, câmaras de tortura, laboratórios escondidos, paredes falsas e quadros de espionagem.
Badslov era mau, sentia-se bem assim, mas seus últimos anos tornaram-se muito monótonos, não havia mais graça em maltratar os criados e o povo do condado. Badslov também se deprimia por nunca conseguir superar a grandiosidade da morte de seus pais. A figura dele foi tornando-se mais arrogante, chegando quase ao insuportável. Então comprou uma capa preta, esta era muito longa, em seguida obrigou os criados a se vestirem de preto. Comprou ao se fiel cão uma coleira terrível, esta possuía tenebrosas pontas de ferro. Como Badslov era ingrato, passou a maltratar Jaives como se fosse um criado qualquer.
Em uma cidade próxima ao condado de Badslov, ficava o mosteiro onde criou-se Borislov. Seus melhores amigos eram: Frei Francisco, que o acolheu, e Mimoso, um terneiro que curara de uma peste que atacara a região. No mosteiro, Borislov desempenhou várias funções: foi carpinteiro, cozinheiro, faxineiro, palestrante e por final tornou-se um monge. Nesta função trabalhou em diversas obras de caridade: ajudou surdos, mudos, paralíticos, curou moribundos, lutou em defesa dos escravos negros* e abrigou crianças abandonadas.
Certo dia, Francisco dá a seguinte notícia a Borislov:
- Filho! O que vou lhe contar pode perturbar-te, mas estamos organizando uma revolução para tirar seu irmão do poder do condado vizinho.
Borislov decidido diz:
- Que a vontade de Deus seja cumprida, mas peço-lhe que não o machuquem!
Neste momento, Borislov novamente é envolvido por uma grande luz ofuscante, e começam a ouvir a música cantada pelos monges do Himalaia. Ao que Francisco diz:
- Não se preocupe, meu filho! Não iremos matá-lo.
E uma revolução estourou no condado, todo o povo tentou invadir o castelo de Badslov. Todos tentaram em vão, pois os que não morreram nas armadilhas, Badslov mesmo encarregava-se de liquidar e em poucos minutos estava tudo acabado. Os rebeldes foram aniquilados e Badslov e seus criados massacraram a resistência, sobrando apenas os monges que não tinham abandonado o exílio.
Badslov, mesmo saindo vitorioso, estava com um ódio enorme dos monges. Não pensem que o próximo trecho foi escrito por Hitchcock, pois ele é terrível.
Badslov, após a batalha, vai até o porão do castelo e lá concentra toda a sua energia maléfica no mosteiro. Naquele momento, no mosteiro, o céu acizentou-se e uma enorme ventania pôs abaixo a velha casa matando Mimoso e todos os monges foram soterrados, exceto Francisco e Borislov que no exato momento estavam colhendo flores no bosque. Depois que constataram a tragédia, Borislov diz a Francisco:
- Irei tornar meu irmão uma pessoa bondosa!
Francisco sem muitas esperanças diz:
- Meu filho! Será uma tarefa difícil!
Borislov decidido diz:
- Não importa, eu tentarei!
Então os dois trocam um abraço e se despedem. Pobre Borislov, não sabia o que lhe aguardava!

* História não era minha matéria preferida na 8ª série.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Capítulo IV - Como viveram os irmãos


Badslov tornou-se conde aos dez anos, vivia apenas com Jaives, antigo mordomo da família, e com Satã, um Bulldog horrível, este Badslov conseguiu para atirar de uma catapulta em uma cama de espinhos enormes, mas ao ver que o cão era a sua imagem, decidiu adotá-lo.
Borislov viveu com os monges, com eles aprendeu a meditar e a viver em paz, mas mesmo estando naquele lugar divino, não conseguia esquecer da morte dos seus amados pais.
Borislov enquanto esteve longe do irmão dedicou-se a sociedade local. Estudou a doutrina católica e finalmente aos dezesseis anos tornou-se um monge, vivendo para fazer o bem sem esperar por qualquer pagamento.
Badslov, pelo contrário, aprofunda-se no ocultismo e torna-se totalmente racista. Com quinze anos passa a controlar o condado que cercava o seu castelo. Cobrava impostos altíssimos e impagáveis. Os que não podiam pagar tinham seus filhos exilados e eram aprisionados. Badslov também construiu um enorme busto seu, para o qual todo o cidadão deveria curvar-se. Quem o desobedecesse seria executado em praça pública.
Borislov com vinte anos escreveu seu primeiro livro, chamava-se “Saiba como Viver em Paz”. Badslov, por sua vez, também escreveu um, o título era “Como Comunicar-se com o Demônio”.
Borislov nunca se casou, dedicou sua vida a Deus. Já Badslov casou-se três vezes. O leitor deve estar se perguntando: Mas como? A resposta virá no próximo trecho.
A primeira esposa de Badslov, um dita bruxa, após uma briga com o marido matou-se ingerindo cicuta. A segunda “vítima”, ou esposa, como preferir, foi uma ex-carrasca, esta ao estar limpando sua guilhotina particular foi surpreendida por uma violenta punhalada pelas costas. A terceira e última foi uma escritora de livros sobre misticismo, a morte desta senhora foi a única que Badslov não interferiu, pois ao dar de comer a Satã, este a confundiu com um filé e devorou-a aos poucos.
Como todos constataram, Badslov não queria uma esposa e sim mais mortes.
Badslov adorava colecionar aparelhos de tortura, era a sua paixão. Possuía guilhotinas, cadeiras elétricas*, forcas, armas medievais e todo tipo de armamento daquela época. Outro grande investimento de Badslov fora uma arena de leões onde ele se livrava dos seus criados mais velhos. E porque ele não era preso? Simples. Porque até a lei tinha medo de Badslov e ele a controlava.

*Favor desconsiderar o fato de que a eletricidade foi descoberta bem mais tarde!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Capitulo III – A Separação dos Irmãos


Cansado de ser massacrado diariamente pelas fantasmagóricas “brincadeiras” e por saber que fora o irmão responsável pela morte dos pais, Borislov, resolve dedicar sua vida ao mundo espiritual. Desde criança sabia da existência de um mosteiro no condado vizinho. Então arrumou suas roupas alvas e pôs-se a caminho da iluminação.
Ao acordar, Badslov vê que seu irmão não está no seu aposento e nem no castelo e logo pensa: - Tomara que tenha sido tragado pela terra! Ou melhor ainda, que tenha sido devorado pela minha voraz tarântula!
Enquanto isto, Borislov a caminho do mosteiro encontra um pobre mendigo encostado em uma árvore. Ele pergunta ao homem:
- Oh bom senhor, porque estás tremendo tanto?
O homem responde:
- Oh meu senhor de pele tão delicada, tremo de frio pois não possuo dinheiro para comprar roupas!
Borislov com pena do mendigo dá-lhe sua enorme capa branca e quando este olha para retribuir espanta-se:
- Oh! Não consigo olhar para vossa face, pois tão grande é a luz que circunda vossa cabeça!
Borislov sem modéstia diz ao homem:
- Esta luz que tu enxergas, significa que subi mais um degrau a caminho do céu!
Além da luz, ouvia-se uma música cantarolada por pássaros que ali estavam, sua melodia assemelhava-se com um canto angelical.
Ao chegar no mosteiro, Borislov observou que o céu estava nublado e num passe de mágica todas as nuvens sumiram e o sol irradiou o lugar. Ele então encontra-se com o Frei Francisco:
- Frei. Vim ao seu mosteiro porque quero ter uma vida pura, praticar o bem e ser tão bondoso quanto o senhor!
Francisco fala com ternura a Borislov:
- Meu filho, tu vieste ao lugar certo! Aqui compartilharás de todo o tipo de caridade e se não quiseres não precisas me contar pois senti tua pureza a quilômetros, mas quem tu és ?
Borislov triste e pensando nos seus pais responde:
- Sou o filho dos condes da família Godsly.
Francisco diz:
- Então tu és irmão de Badslov, o terrível, o anticristo, o satânico?
Borislov mais deprimido responde:
- Sim Frei, sou eu mesmo!
Francisco com ar de preocupação diz:
- Então foi muito bom tu vires para cá, pois teu irmão podia matar-te!
Borislov diz as seguintes palavras:
- Ele já tentou, mas a vontade de Deus é suprema!
Naquele momento, a cabeça de Borislov novamente fica envolta por uma claridade fortíssima e Francisco diz:
- Bem falado meu filho, agora entre!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Capitulo II – A Trágica Morte dos Pais

O pai dos garotos quebrou a perna e ficou provisoriamente entrevado em uma cadeira de rodas. Este acidente deu-se pelo fato de ter se desprendido uma das rodas da sua carruagem pela falta de um dos pinos que a segurava. Este pino, dias depois, apareceu no cesto de aranhas de Badslov.
Num dia escuro, o bondoso conde pede ao filho:
- Me filho, me ajude a descer os cento e três degraus da escadaria.
Mais do que depressa Badslov responde:
- Queres descer? Então descerás...
Empurrando o seu pai escada abaixo, porém Mikael era forte e não lhe aconteceu nada, “somente” mais algumas fraturas. Ao ver isso, Badslov irado diz:
- Velho difícil tu és! Não morres nunca!
Passaram-se três meses e Mikael já estava bom de seus ferimentos e livre da cadeira de rodas. Chovia muito. Os relâmpagos brilhavam pelas janelas do castelo, parecia que o tempo sabia o que estava para acontecer. Ventos fúnebres ressoavam pelo saguão, ouviam-se gemidos pelas longas e nababescas escadas...
Badslov desceu com sua negra e longa capa vampírica. Parou. Ficou diante do faraônico lustre.
Nesta manhã, Badslov acordou com uma fúria monstruosa. Pegou sua aracnídea e arrancou suas pobres pernas, e como de costume, tirou todos os seus pelos com uma pinça. Depois de estar totalmente lisa, jogou-a em um recipiente com ácido e após ver este término, sentiu-se melhor.
Mas a sua vontade era de acabar com um ser humano. Mas quem ? Porque não seu pai ? (pensou).
Após isto, deu uma risada macabra e descendo as escadas como um furacão viu seus pais sentados diante de uma grande mesa da sala de jantar. Olhou, fez uma cara diabólica e sentou-se. Durante o café deu algumas risadinhas e ao terminar levantou-se e subiu as escadas. Lá em cima sua mente estrondosa trabalhava: - Pobre pai, terei que acabar com ele!
Em poucos minutos pensou em tudo. Conseguiu uma pontiaguda clava e amarrou-a com uma longa corda na entrada para o saguão. Ele tinha feito um mecanismo que, ao ser puxado pelos pés jogaria a clava diante da cabeça do pai. Só de imaginar sentiu-se entusiasmado.
Quando o pai estava para sair, pisou na corda e sem perceber foi alvejado pela clava. Com uma dor horrível e o sangue escorrendo pelos longos degraus o pai disse:
- Badslov! Até tu, filho meu?
Ouvindo isto Badslov cobriu-se com sua capa e subiu as escadas rindo monstruosamente. Escutando o barulho, a condessa desce correndo a escadaria aos prantos, mas quando passou pelo filho, este colocou o pé fazendo sua mãe planar sobre os degraus. Pobre senhora, caiu sobre o corpo inerte do marido e virando o rosto lentamente com as lágrimas caindo de seus púrpuros olhos, disse:
-Como podes fazer isto?
Neste momento o céu acizentou-se, ouviram-se trovões e Badslov virou-se, abriu a capa e deu outra gargalhada monstruosa. Naquele momento, Borislov entra no saguão com seu regador cor-de-rosa e seus quinze lindos Narcisos e ao ver aquela cena diz:
- Mamãe, vocês se embriagaram com molho de tomate?
Badslov sinistramente diz ao irmão:
- Venha efeminado irmão, junte-se a esta comovente reunião familiar.
No desespero maternal, Sheichanoê decide não atormentar a angelical e ingênua mente de Borislov. Mas Badslov, louco para ver a desgraça diz:
- Borislov, será que não percebes que matei o velho?
Para ele tamanha revelação foi tão chocante que caiu desmaiado no imenso saguão do castelo. Badslov então deu altas gargalhadas em meio ao sofrimento da mão e do irmão.
Um mês passou-se, e Badslov comprou vinte lindos gatinhos. Você deve estar pensando que ele regenerou-se. Ledo engano, pois os gatinhos serviam para praticar arco e flecha. Certo dia a inconformada condessa estava próxima ao local onde os felinos eram executados e não se sabe como, mas Badslov que era ótimo de pontaria, naquele dia errou “por acidente” uma distância de 50 metros à direita da árvore, acertando uma flechada mortal no Esternoclidomastodeo de sua mãe, arremessando-a em direção a outra árvore, onde ficou enterrada para sempre. Borislov chega para pedir a sua mãe que o ajude a plantar uma azaléia, mas ao ver aquela cena desespera-se e sai correndo em direção ao castelo...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

BADSLOV - O Terrível

“Tudo que está escrito nesta história não passa da fértil e maluca imaginação do autor. Nada que consta aqui aconteceu realmente.”

Introdução

Num determinado local, em uma bela tarde de inverno nasceram, de uma tradicional família, dois irmão gêmeos: Borislov e Badslov. Os dois eram gêmeos idênticos, porém no decorrer da história, você verá a diferença.

Capítulo I – A problemática infância dos Irmãos

Estava um dia maravilhoso: sol radiante, nuvens brancas e céu azul, porém no castelo onde moravam Borislov e Badslov, tudo era tempestade.
Badslov era um garoto mau e azedo, sempre trouxe consigo um trauma: não se conformava de ter nascido dez segundos após o seu irmão, Borislov, que era doce e amável.
A grande maldade de Badslov já estava nele desde bebê, pois quando os parentes seguravam Borislov no colo, este sorria para eles, mas Badslov vomitava em suas roupas.
Aos cinco anos ganharam seus primeiros livros. Borislov ganhou “Os Contos da Mamãe Ganso”, e Badslov ganhou “O Carrasco”. Foi neste ano que compraram seus bichinhos de estimação. Borislov uma ninhada de gatinhos, e Badslov um cesto com horrendas aranhas caranguejeiras, sendo que estas eram peludas e venenosas e Badslov adorava dormir abraçado a elas.
Um mês depois, Badslov encontrou no porão do castelo uma enorme pinça, a qual utilizava para arrancar os bigodes dos gatos do irmão e puxar os pelos das suas aranhas. Neste Natal, Borislov, com seu dinheiro, comprou bolas coloridas para ornamentar a árvore do castelo, mas Badslov comprou um martelo, para quebrar as bolas do irmão, e um machado para cortar a árvore.
Certo dia, Badslov acordou muito cedo. Por quê? Para passar graxa na escadaria do castelo. Borislov, como era puro e inocente, foi-se escadaria abaixo. Em seguida, Badslov desce dizendo:
- Você se machucou doce e adorado irmão?
Pisando no corpo ferido de Borislov, que diz:
- Como podes ser tão mau, meu irmão?
Badslov realizado com seu ato de maldade retira-se cantando uma marcha fúnebre.
Para Borislov tudo era cor-de-rosa, mas para Badslov a vida não passava de pensamentos malévolos. Só para o leitor ter uma idéia da maldade de Badslov, leia o próximo trecho.
Era um dia chuvoso. Dia chuvoso não é o correto. Era um dia de tempestade. Ótimo para Badslov e péssimo para Borislov. Badslov ao levantar-se, como de costume, fez mais uma das suas perigosas “brincadeiras” com o pobre irmão.
Como a porta do quarto de Borislov estava aberta, Badslov entrou de mansinho e colocou no chão, onde Borislov costumava por os pés ao levantar, caquinhos de vidro que ele mesmo teve a honra de quebrar. Pobre Borislov! Ao levantar-se, enfiou com toda a força os pés no chão, e ao sentir os minúsculos cacos de vidro penetrar-lhe a tão delicada pele, deu um grito e caiu no chão aos prantos.
Os pais não o repreendiam, pois eles mesmos tinham medo de Badslov, seu terrível, macabro e diabólico filho.
Certa vez, por pouco, uma flecha disparada por “acidente”, quase matou a sua mãe, a condessa Sheichanoê. A flecha quase atingiu a face da bondosa condessa, que apavorada caiu desmaiada ao solo e quando voltou a si viu o seu filho dando gargalhadas.
Todo o povo do condado tinha medo do terrível Badslov. E isso quando ele tinha apenas seis anos. Quando era chagada a hora da escolha da babá, havia brigas na entrada do castelo, mas somente quando era para Borislov, pois para Badslov elas eram trazidas à força e amarradas, e mesmo assim, muitas sofriam ataques cardíacos só de pensar nas crueldades que o jovem conde faria com elas.
Não querendo exagerar, mas não era bem uma babá que Badslov queria, mas sim uma cobaia para as suas enfadonhas brincadeiras.
Com sete anos, Borislov passava o dia com crianças no jardim, já Badslov passava horas no porão do castelo, todo esse tempo ficava afiando suas unhas em uma lâmina, esta servia para afiar facas e as unhas eram tão afiadas para rasgar a pele facial dos pobres criados do castelo.
Com esta idade seu melhor passatempo era nada mais nada menos do que colocar gatos amarrados com o rabo no pescoço de uma galinha e lançá-los em direção ao horizonte na catapulta real. Ele sentia um prazer enorme em ver os pobres felinos e galináceos voarem freneticamente em direção ao cinzento e tempestuoso céu do condado. Isso quando antes de lançá-los não colocava fogo nos pelo dos animais somente para dizer aos seus pais que eram cometas.
Borislov, ao contrário, fazia tudo diferente. Ao invés de pegar pobres animais e jogá-los longe, pegava-os e colocava-os em uma caixa perto de sua cama. Borislov viva no jardim no meio das flores, ele era o símbolo da inocência e do amor no condado, enquanto Badslov era lembrado como algo ruim e assustador.
Uma vez por pouco, sua mãe não se decompôs, o terrível filho colocou ácido em sua banheira para constatar que a pele em contato com este líquido realmente se decompunha. Se não fosse o seu pai, conde Mikael, a pobre condessa estaria desmanchada nesta altura dos acontecimentos.
Outra das suas travessuras de infância foi colocar seu irmão em uma carroça que ele mesmo havia construído. O detalhe é que o cavalo era o pobre Borislov que ficava preso a uma correia de espinhos e Badslov dava-lhe chicotadas para que andasse mais rápido. Por sorte seu pai chegou há tempo de salvá-lo, mas mesmo assim Borislov ficou uma longa temporada na cama por conta dos hematomas assustadores que ficaram em seu corpo.
Até agora, você viu apenas as pequenas travessuras de Badslov, pois quando ouvir as piores não dormirás mais!
Para o povo do condado chegar até o castelo era necessário atravessar uma ponte, porém em uma certa manhã, Badslov levantou-se e não pode brincar com seu irmão que ainda estava gravemente ferido e sendo assim Badslov teve que inventar outra diversão.
De um jeito muito inteligente, Badslov pegou o homem da torre que controlava a ponte e amarrou-o atrás de uma grande cortina. Depois disto, foi até o depósito de seu pai, pegou um barril de piche e derramou sobre a ponte. Na hora em que o povo chegou, eles nem notaram o que havia ali e ficaram grudados na ponte. Depois que mais de cinco pessoas tinham ficado presas, Badslov suspendeu a ponte, atirando o povo longe com a força do impulso. Esses pobres aldeões ficaram obviamente feridos, sendo que o mais leve foi de um camponês que teve duas fraturas no braço.
Certo dia, parentes muito afastados vieram de longe conhecer os dois irmãos. Borislov beijou-os e cumprimentou-os, mas Badslov deu-lhes grotescas dentadas com seus esfomeados caninos.
Uma vez houve uma grande festa no condado e a condessa e Borislov foram até lá, já o conde Mikael ficou em casa, pois estava doente e Badslov ficou para maltratá-lo. Naquela noite, no jantar, o conde senta-se à mesa com Badslov, mas ao aproximar-se do filho sente um horrendo e gélido arrepio na espinha. Enquanto Badslov devorava uma suculenta perna de galinha, seu pai mal conseguia comer de tanto medo do filho. Badslov ao terminar, começa a olhar fixamente para o seu pai e lamber os beiços. O pobre conde ao sentir seu pescoço ameaçado sai correndo e tranca-se em seus aposentos. Badslov estava do lado de fora a gritar:
- Abra papai! Eu quero sorver o seu plasma!
O Conde apavorado grita:
- Me Deus! Meu filho tem uma alma vampírica!
Essa foi a infância dos irmãos Godsly, mas embora tenha sido terrível, nem de perto poderá ser comparada a sua adolescência...