terça-feira, 13 de março de 2012

Capítulo VI - O Reencontro


Após cruzar uma cidade a pé, Borislov chega após muitos anos á sua cidade natal. Esta estava praticamente deserta e totalmente destruída. No chão viam-se corpos e cabeças.
Ao chegar ao castelo, Borislov fica petrificado, não acredita no que vê. Suas lindas flores e a claridade que existia haviam sumido. O limo escorria pelas paredes, um raio cruzava o céu e uma tempestade iniciava-se. Borislov, após atravessar a ponte com sacrifício, bate à porta e em seguida uma voz trêmula diz:
- Sim o que desejas?
Borislov com ar de felicidade diz:
- Alô Jaives! Não me reconheces?
O Mordomo abre os olhos e diz:
- Um milagre! Deus enviou o bondoso Borislov para nos salvar! Entre senhor, o castelo é seu!
Borislov emocionado diz:
- Obrigado Jaives, mas onde está Badslov?
Jaives receoso diz:
- No escritório, meu Senhor!
O bondoso Borislov entra no escritório. Lá dentro estava muito escuro, então, em meio a estatuetas de demônios surge a vil imagem de Badslov. Enfim, os irmãos se reencontraram. Será que Borislov será feliz nas mãos de Badslov? Lendo o resto do livro tu saberás!
Borislov em um gesto de ternura estende os braços a Badslov. Naquele momento a luz circula a cabeça de Borislov e ouvem-se pelo castelo músicas da igreja. Badslov então se aproxima friamente, e ao chegar bem perto diz com uma voz sádica:
- Que bom que voltou doce e amável irmão!
Neste momento trombetas infernais soaram pelo saguão do castelo, Borislov apavorado com a fisionomia maléfica de Badslov diz:
- Estou... Muito... Feliz... Em vê-lo... Irmão!
Assim Badslov diz:
- Você sabe onde fica o seu quarto. Ele ainda está lá!
E retirou-se cantando sua adorada marcha fúnebre. Naquela noite o pobre Borislov não conseguiu dormir, e de trás de um quadro, Badslov passou a noite observando o irmão, na sua cabeça só existiam planos para maltratar Borislov.
Só Jaives sabia da existência de Borislov no castelo, pois os demais criados já haviam se recolhido. Você leitor não imagina a confusão que isto causará!
Ao amanhecer, como de costume, Badslov acordou muito cedo, vestiu a capa, colocou a espada na cintura, chutou Satã e desceu as escadas. Ao chegar no meio desta, todos os criados deveriam estar ajoelhados em grãos de milho vestidos com roupas pretas. Então Badslov abriu a sua capa, ergueu a espada e disse:
-Ninguém! Eu disse ninguém me vencerá! Ninguém!
Isto era para assustar os criados, pois tinha medo de outra revolta.
Assim escolhia um criado para servir-lhe o café. Este consistia em cinqüenta taças de vinho servidas em uma bandeja. Das cinqüenta, ele bebia apenas uma, quarenta e oito jogava no criado e a ultima deixava cair em si mesmo para dizer que a culpa fora do criado, que era levado à sala de torturas.
Badslov dava-lhe cem chicotadas nas costas e depois colocava uma porção de sal e um copo de soda cáustica nas feriadas em carne viva, além disto, arrancava toda a sobrancelha do pobre, que na grande maioria das vezes se matava após tanto sofrimento.
No castelo haviam muitos criados, cada um desempenhava certa minúscula função, porém o seu sofrimento não compensava esta “vida” mansa. Chegava a morrer um criado por semana, então, Badslov tinha que trazer à força outro dos povoados vizinhos.
Ao acordar naquela manhã, Borislov recebeu o seu café no quarto servido por Jaives, o único que sabia da sua existência. Depois disso levantou-se e foi dar uma caminhada pelo castelo. A cada criado que passavam, este se ajoelhava a seus pés, Borislov imediatamente os levantava dando-lhes amizade e compreensão. Depois de alguns minutos foi deitar-se novamente.
Quando Badslov passou pelos criados percebeu que muitos deles não estavam se curvando e um deles com muita intimidade disse:
- Aí meu chapa! Tudo bem?
Naquele momento, os olhos de Badslov ficaram vermelhos, ele começou a bufar, abriu a capa, ergueu a espada e disse:
- Ninguém! Ninguém deve me desrespeitar, ninguém! Repito! Cortando a cabeça do criado com a espada e jogando-a para as piranhas do castelo. Durante uma semana esta cena repetiu-se. Foi quando Borislov se deu conta do que estava acontecendo e teve uma idéia, ele sempre se vestiria de branco, e o irmão, de preto. Então ele aprensentou-se para os criados e um problema foi resolvido.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Capítulo V - O Castelo e o Mosteiro


O belíssimo castelo da família Godsly, que ficava no alto de uma colina e era cercado por um condado, hoje é o local onde vivem Badslov, Satã, Jaives e três mil e quinhentos criados.
O ambiente daquele lindo castelo transformara-se, tornou-se um local horrendo, o que antes eram petúnias, macieiras e flores de todos os tipos, agora eram urtigas, árvores secas e plantas carnívoras. O limo escorria pelas paredes, o local era o típico castelo do Drácula, sombrio e sinistro.
Badslov, com o temor de uma revolução no condado, pôs em volta do castelo muitas armadilhas, bem como um riacho artificial que passava sob a ponte. No riacho haviam muitos jacarés e piranhas.
Os criados deste castelo penavam nas mãos de Badslov e não recebiam a quantia que pagasse tanto sofrimento, isto quando não eram assassinados pelo conde no dia do pagamento.
Aos vinte e cinco anos, inspirado no livro “Um Espião no Castelo”, Badslov decidiu modificar seu diabólico lar. No original foram acrescentados alçapões, passagens secretas, armadilhas, câmaras de tortura, laboratórios escondidos, paredes falsas e quadros de espionagem.
Badslov era mau, sentia-se bem assim, mas seus últimos anos tornaram-se muito monótonos, não havia mais graça em maltratar os criados e o povo do condado. Badslov também se deprimia por nunca conseguir superar a grandiosidade da morte de seus pais. A figura dele foi tornando-se mais arrogante, chegando quase ao insuportável. Então comprou uma capa preta, esta era muito longa, em seguida obrigou os criados a se vestirem de preto. Comprou ao se fiel cão uma coleira terrível, esta possuía tenebrosas pontas de ferro. Como Badslov era ingrato, passou a maltratar Jaives como se fosse um criado qualquer.
Em uma cidade próxima ao condado de Badslov, ficava o mosteiro onde criou-se Borislov. Seus melhores amigos eram: Frei Francisco, que o acolheu, e Mimoso, um terneiro que curara de uma peste que atacara a região. No mosteiro, Borislov desempenhou várias funções: foi carpinteiro, cozinheiro, faxineiro, palestrante e por final tornou-se um monge. Nesta função trabalhou em diversas obras de caridade: ajudou surdos, mudos, paralíticos, curou moribundos, lutou em defesa dos escravos negros* e abrigou crianças abandonadas.
Certo dia, Francisco dá a seguinte notícia a Borislov:
- Filho! O que vou lhe contar pode perturbar-te, mas estamos organizando uma revolução para tirar seu irmão do poder do condado vizinho.
Borislov decidido diz:
- Que a vontade de Deus seja cumprida, mas peço-lhe que não o machuquem!
Neste momento, Borislov novamente é envolvido por uma grande luz ofuscante, e começam a ouvir a música cantada pelos monges do Himalaia. Ao que Francisco diz:
- Não se preocupe, meu filho! Não iremos matá-lo.
E uma revolução estourou no condado, todo o povo tentou invadir o castelo de Badslov. Todos tentaram em vão, pois os que não morreram nas armadilhas, Badslov mesmo encarregava-se de liquidar e em poucos minutos estava tudo acabado. Os rebeldes foram aniquilados e Badslov e seus criados massacraram a resistência, sobrando apenas os monges que não tinham abandonado o exílio.
Badslov, mesmo saindo vitorioso, estava com um ódio enorme dos monges. Não pensem que o próximo trecho foi escrito por Hitchcock, pois ele é terrível.
Badslov, após a batalha, vai até o porão do castelo e lá concentra toda a sua energia maléfica no mosteiro. Naquele momento, no mosteiro, o céu acizentou-se e uma enorme ventania pôs abaixo a velha casa matando Mimoso e todos os monges foram soterrados, exceto Francisco e Borislov que no exato momento estavam colhendo flores no bosque. Depois que constataram a tragédia, Borislov diz a Francisco:
- Irei tornar meu irmão uma pessoa bondosa!
Francisco sem muitas esperanças diz:
- Meu filho! Será uma tarefa difícil!
Borislov decidido diz:
- Não importa, eu tentarei!
Então os dois trocam um abraço e se despedem. Pobre Borislov, não sabia o que lhe aguardava!

* História não era minha matéria preferida na 8ª série.