quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Capítulo IV - Como viveram os irmãos


Badslov tornou-se conde aos dez anos, vivia apenas com Jaives, antigo mordomo da família, e com Satã, um Bulldog horrível, este Badslov conseguiu para atirar de uma catapulta em uma cama de espinhos enormes, mas ao ver que o cão era a sua imagem, decidiu adotá-lo.
Borislov viveu com os monges, com eles aprendeu a meditar e a viver em paz, mas mesmo estando naquele lugar divino, não conseguia esquecer da morte dos seus amados pais.
Borislov enquanto esteve longe do irmão dedicou-se a sociedade local. Estudou a doutrina católica e finalmente aos dezesseis anos tornou-se um monge, vivendo para fazer o bem sem esperar por qualquer pagamento.
Badslov, pelo contrário, aprofunda-se no ocultismo e torna-se totalmente racista. Com quinze anos passa a controlar o condado que cercava o seu castelo. Cobrava impostos altíssimos e impagáveis. Os que não podiam pagar tinham seus filhos exilados e eram aprisionados. Badslov também construiu um enorme busto seu, para o qual todo o cidadão deveria curvar-se. Quem o desobedecesse seria executado em praça pública.
Borislov com vinte anos escreveu seu primeiro livro, chamava-se “Saiba como Viver em Paz”. Badslov, por sua vez, também escreveu um, o título era “Como Comunicar-se com o Demônio”.
Borislov nunca se casou, dedicou sua vida a Deus. Já Badslov casou-se três vezes. O leitor deve estar se perguntando: Mas como? A resposta virá no próximo trecho.
A primeira esposa de Badslov, um dita bruxa, após uma briga com o marido matou-se ingerindo cicuta. A segunda “vítima”, ou esposa, como preferir, foi uma ex-carrasca, esta ao estar limpando sua guilhotina particular foi surpreendida por uma violenta punhalada pelas costas. A terceira e última foi uma escritora de livros sobre misticismo, a morte desta senhora foi a única que Badslov não interferiu, pois ao dar de comer a Satã, este a confundiu com um filé e devorou-a aos poucos.
Como todos constataram, Badslov não queria uma esposa e sim mais mortes.
Badslov adorava colecionar aparelhos de tortura, era a sua paixão. Possuía guilhotinas, cadeiras elétricas*, forcas, armas medievais e todo tipo de armamento daquela época. Outro grande investimento de Badslov fora uma arena de leões onde ele se livrava dos seus criados mais velhos. E porque ele não era preso? Simples. Porque até a lei tinha medo de Badslov e ele a controlava.

*Favor desconsiderar o fato de que a eletricidade foi descoberta bem mais tarde!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Capitulo III – A Separação dos Irmãos


Cansado de ser massacrado diariamente pelas fantasmagóricas “brincadeiras” e por saber que fora o irmão responsável pela morte dos pais, Borislov, resolve dedicar sua vida ao mundo espiritual. Desde criança sabia da existência de um mosteiro no condado vizinho. Então arrumou suas roupas alvas e pôs-se a caminho da iluminação.
Ao acordar, Badslov vê que seu irmão não está no seu aposento e nem no castelo e logo pensa: - Tomara que tenha sido tragado pela terra! Ou melhor ainda, que tenha sido devorado pela minha voraz tarântula!
Enquanto isto, Borislov a caminho do mosteiro encontra um pobre mendigo encostado em uma árvore. Ele pergunta ao homem:
- Oh bom senhor, porque estás tremendo tanto?
O homem responde:
- Oh meu senhor de pele tão delicada, tremo de frio pois não possuo dinheiro para comprar roupas!
Borislov com pena do mendigo dá-lhe sua enorme capa branca e quando este olha para retribuir espanta-se:
- Oh! Não consigo olhar para vossa face, pois tão grande é a luz que circunda vossa cabeça!
Borislov sem modéstia diz ao homem:
- Esta luz que tu enxergas, significa que subi mais um degrau a caminho do céu!
Além da luz, ouvia-se uma música cantarolada por pássaros que ali estavam, sua melodia assemelhava-se com um canto angelical.
Ao chegar no mosteiro, Borislov observou que o céu estava nublado e num passe de mágica todas as nuvens sumiram e o sol irradiou o lugar. Ele então encontra-se com o Frei Francisco:
- Frei. Vim ao seu mosteiro porque quero ter uma vida pura, praticar o bem e ser tão bondoso quanto o senhor!
Francisco fala com ternura a Borislov:
- Meu filho, tu vieste ao lugar certo! Aqui compartilharás de todo o tipo de caridade e se não quiseres não precisas me contar pois senti tua pureza a quilômetros, mas quem tu és ?
Borislov triste e pensando nos seus pais responde:
- Sou o filho dos condes da família Godsly.
Francisco diz:
- Então tu és irmão de Badslov, o terrível, o anticristo, o satânico?
Borislov mais deprimido responde:
- Sim Frei, sou eu mesmo!
Francisco com ar de preocupação diz:
- Então foi muito bom tu vires para cá, pois teu irmão podia matar-te!
Borislov diz as seguintes palavras:
- Ele já tentou, mas a vontade de Deus é suprema!
Naquele momento, a cabeça de Borislov novamente fica envolta por uma claridade fortíssima e Francisco diz:
- Bem falado meu filho, agora entre!