segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Capitulo II – A Trágica Morte dos Pais

O pai dos garotos quebrou a perna e ficou provisoriamente entrevado em uma cadeira de rodas. Este acidente deu-se pelo fato de ter se desprendido uma das rodas da sua carruagem pela falta de um dos pinos que a segurava. Este pino, dias depois, apareceu no cesto de aranhas de Badslov.
Num dia escuro, o bondoso conde pede ao filho:
- Me filho, me ajude a descer os cento e três degraus da escadaria.
Mais do que depressa Badslov responde:
- Queres descer? Então descerás...
Empurrando o seu pai escada abaixo, porém Mikael era forte e não lhe aconteceu nada, “somente” mais algumas fraturas. Ao ver isso, Badslov irado diz:
- Velho difícil tu és! Não morres nunca!
Passaram-se três meses e Mikael já estava bom de seus ferimentos e livre da cadeira de rodas. Chovia muito. Os relâmpagos brilhavam pelas janelas do castelo, parecia que o tempo sabia o que estava para acontecer. Ventos fúnebres ressoavam pelo saguão, ouviam-se gemidos pelas longas e nababescas escadas...
Badslov desceu com sua negra e longa capa vampírica. Parou. Ficou diante do faraônico lustre.
Nesta manhã, Badslov acordou com uma fúria monstruosa. Pegou sua aracnídea e arrancou suas pobres pernas, e como de costume, tirou todos os seus pelos com uma pinça. Depois de estar totalmente lisa, jogou-a em um recipiente com ácido e após ver este término, sentiu-se melhor.
Mas a sua vontade era de acabar com um ser humano. Mas quem ? Porque não seu pai ? (pensou).
Após isto, deu uma risada macabra e descendo as escadas como um furacão viu seus pais sentados diante de uma grande mesa da sala de jantar. Olhou, fez uma cara diabólica e sentou-se. Durante o café deu algumas risadinhas e ao terminar levantou-se e subiu as escadas. Lá em cima sua mente estrondosa trabalhava: - Pobre pai, terei que acabar com ele!
Em poucos minutos pensou em tudo. Conseguiu uma pontiaguda clava e amarrou-a com uma longa corda na entrada para o saguão. Ele tinha feito um mecanismo que, ao ser puxado pelos pés jogaria a clava diante da cabeça do pai. Só de imaginar sentiu-se entusiasmado.
Quando o pai estava para sair, pisou na corda e sem perceber foi alvejado pela clava. Com uma dor horrível e o sangue escorrendo pelos longos degraus o pai disse:
- Badslov! Até tu, filho meu?
Ouvindo isto Badslov cobriu-se com sua capa e subiu as escadas rindo monstruosamente. Escutando o barulho, a condessa desce correndo a escadaria aos prantos, mas quando passou pelo filho, este colocou o pé fazendo sua mãe planar sobre os degraus. Pobre senhora, caiu sobre o corpo inerte do marido e virando o rosto lentamente com as lágrimas caindo de seus púrpuros olhos, disse:
-Como podes fazer isto?
Neste momento o céu acizentou-se, ouviram-se trovões e Badslov virou-se, abriu a capa e deu outra gargalhada monstruosa. Naquele momento, Borislov entra no saguão com seu regador cor-de-rosa e seus quinze lindos Narcisos e ao ver aquela cena diz:
- Mamãe, vocês se embriagaram com molho de tomate?
Badslov sinistramente diz ao irmão:
- Venha efeminado irmão, junte-se a esta comovente reunião familiar.
No desespero maternal, Sheichanoê decide não atormentar a angelical e ingênua mente de Borislov. Mas Badslov, louco para ver a desgraça diz:
- Borislov, será que não percebes que matei o velho?
Para ele tamanha revelação foi tão chocante que caiu desmaiado no imenso saguão do castelo. Badslov então deu altas gargalhadas em meio ao sofrimento da mão e do irmão.
Um mês passou-se, e Badslov comprou vinte lindos gatinhos. Você deve estar pensando que ele regenerou-se. Ledo engano, pois os gatinhos serviam para praticar arco e flecha. Certo dia a inconformada condessa estava próxima ao local onde os felinos eram executados e não se sabe como, mas Badslov que era ótimo de pontaria, naquele dia errou “por acidente” uma distância de 50 metros à direita da árvore, acertando uma flechada mortal no Esternoclidomastodeo de sua mãe, arremessando-a em direção a outra árvore, onde ficou enterrada para sempre. Borislov chega para pedir a sua mãe que o ajude a plantar uma azaléia, mas ao ver aquela cena desespera-se e sai correndo em direção ao castelo...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

BADSLOV - O Terrível

“Tudo que está escrito nesta história não passa da fértil e maluca imaginação do autor. Nada que consta aqui aconteceu realmente.”

Introdução

Num determinado local, em uma bela tarde de inverno nasceram, de uma tradicional família, dois irmão gêmeos: Borislov e Badslov. Os dois eram gêmeos idênticos, porém no decorrer da história, você verá a diferença.

Capítulo I – A problemática infância dos Irmãos

Estava um dia maravilhoso: sol radiante, nuvens brancas e céu azul, porém no castelo onde moravam Borislov e Badslov, tudo era tempestade.
Badslov era um garoto mau e azedo, sempre trouxe consigo um trauma: não se conformava de ter nascido dez segundos após o seu irmão, Borislov, que era doce e amável.
A grande maldade de Badslov já estava nele desde bebê, pois quando os parentes seguravam Borislov no colo, este sorria para eles, mas Badslov vomitava em suas roupas.
Aos cinco anos ganharam seus primeiros livros. Borislov ganhou “Os Contos da Mamãe Ganso”, e Badslov ganhou “O Carrasco”. Foi neste ano que compraram seus bichinhos de estimação. Borislov uma ninhada de gatinhos, e Badslov um cesto com horrendas aranhas caranguejeiras, sendo que estas eram peludas e venenosas e Badslov adorava dormir abraçado a elas.
Um mês depois, Badslov encontrou no porão do castelo uma enorme pinça, a qual utilizava para arrancar os bigodes dos gatos do irmão e puxar os pelos das suas aranhas. Neste Natal, Borislov, com seu dinheiro, comprou bolas coloridas para ornamentar a árvore do castelo, mas Badslov comprou um martelo, para quebrar as bolas do irmão, e um machado para cortar a árvore.
Certo dia, Badslov acordou muito cedo. Por quê? Para passar graxa na escadaria do castelo. Borislov, como era puro e inocente, foi-se escadaria abaixo. Em seguida, Badslov desce dizendo:
- Você se machucou doce e adorado irmão?
Pisando no corpo ferido de Borislov, que diz:
- Como podes ser tão mau, meu irmão?
Badslov realizado com seu ato de maldade retira-se cantando uma marcha fúnebre.
Para Borislov tudo era cor-de-rosa, mas para Badslov a vida não passava de pensamentos malévolos. Só para o leitor ter uma idéia da maldade de Badslov, leia o próximo trecho.
Era um dia chuvoso. Dia chuvoso não é o correto. Era um dia de tempestade. Ótimo para Badslov e péssimo para Borislov. Badslov ao levantar-se, como de costume, fez mais uma das suas perigosas “brincadeiras” com o pobre irmão.
Como a porta do quarto de Borislov estava aberta, Badslov entrou de mansinho e colocou no chão, onde Borislov costumava por os pés ao levantar, caquinhos de vidro que ele mesmo teve a honra de quebrar. Pobre Borislov! Ao levantar-se, enfiou com toda a força os pés no chão, e ao sentir os minúsculos cacos de vidro penetrar-lhe a tão delicada pele, deu um grito e caiu no chão aos prantos.
Os pais não o repreendiam, pois eles mesmos tinham medo de Badslov, seu terrível, macabro e diabólico filho.
Certa vez, por pouco, uma flecha disparada por “acidente”, quase matou a sua mãe, a condessa Sheichanoê. A flecha quase atingiu a face da bondosa condessa, que apavorada caiu desmaiada ao solo e quando voltou a si viu o seu filho dando gargalhadas.
Todo o povo do condado tinha medo do terrível Badslov. E isso quando ele tinha apenas seis anos. Quando era chagada a hora da escolha da babá, havia brigas na entrada do castelo, mas somente quando era para Borislov, pois para Badslov elas eram trazidas à força e amarradas, e mesmo assim, muitas sofriam ataques cardíacos só de pensar nas crueldades que o jovem conde faria com elas.
Não querendo exagerar, mas não era bem uma babá que Badslov queria, mas sim uma cobaia para as suas enfadonhas brincadeiras.
Com sete anos, Borislov passava o dia com crianças no jardim, já Badslov passava horas no porão do castelo, todo esse tempo ficava afiando suas unhas em uma lâmina, esta servia para afiar facas e as unhas eram tão afiadas para rasgar a pele facial dos pobres criados do castelo.
Com esta idade seu melhor passatempo era nada mais nada menos do que colocar gatos amarrados com o rabo no pescoço de uma galinha e lançá-los em direção ao horizonte na catapulta real. Ele sentia um prazer enorme em ver os pobres felinos e galináceos voarem freneticamente em direção ao cinzento e tempestuoso céu do condado. Isso quando antes de lançá-los não colocava fogo nos pelo dos animais somente para dizer aos seus pais que eram cometas.
Borislov, ao contrário, fazia tudo diferente. Ao invés de pegar pobres animais e jogá-los longe, pegava-os e colocava-os em uma caixa perto de sua cama. Borislov viva no jardim no meio das flores, ele era o símbolo da inocência e do amor no condado, enquanto Badslov era lembrado como algo ruim e assustador.
Uma vez por pouco, sua mãe não se decompôs, o terrível filho colocou ácido em sua banheira para constatar que a pele em contato com este líquido realmente se decompunha. Se não fosse o seu pai, conde Mikael, a pobre condessa estaria desmanchada nesta altura dos acontecimentos.
Outra das suas travessuras de infância foi colocar seu irmão em uma carroça que ele mesmo havia construído. O detalhe é que o cavalo era o pobre Borislov que ficava preso a uma correia de espinhos e Badslov dava-lhe chicotadas para que andasse mais rápido. Por sorte seu pai chegou há tempo de salvá-lo, mas mesmo assim Borislov ficou uma longa temporada na cama por conta dos hematomas assustadores que ficaram em seu corpo.
Até agora, você viu apenas as pequenas travessuras de Badslov, pois quando ouvir as piores não dormirás mais!
Para o povo do condado chegar até o castelo era necessário atravessar uma ponte, porém em uma certa manhã, Badslov levantou-se e não pode brincar com seu irmão que ainda estava gravemente ferido e sendo assim Badslov teve que inventar outra diversão.
De um jeito muito inteligente, Badslov pegou o homem da torre que controlava a ponte e amarrou-o atrás de uma grande cortina. Depois disto, foi até o depósito de seu pai, pegou um barril de piche e derramou sobre a ponte. Na hora em que o povo chegou, eles nem notaram o que havia ali e ficaram grudados na ponte. Depois que mais de cinco pessoas tinham ficado presas, Badslov suspendeu a ponte, atirando o povo longe com a força do impulso. Esses pobres aldeões ficaram obviamente feridos, sendo que o mais leve foi de um camponês que teve duas fraturas no braço.
Certo dia, parentes muito afastados vieram de longe conhecer os dois irmãos. Borislov beijou-os e cumprimentou-os, mas Badslov deu-lhes grotescas dentadas com seus esfomeados caninos.
Uma vez houve uma grande festa no condado e a condessa e Borislov foram até lá, já o conde Mikael ficou em casa, pois estava doente e Badslov ficou para maltratá-lo. Naquela noite, no jantar, o conde senta-se à mesa com Badslov, mas ao aproximar-se do filho sente um horrendo e gélido arrepio na espinha. Enquanto Badslov devorava uma suculenta perna de galinha, seu pai mal conseguia comer de tanto medo do filho. Badslov ao terminar, começa a olhar fixamente para o seu pai e lamber os beiços. O pobre conde ao sentir seu pescoço ameaçado sai correndo e tranca-se em seus aposentos. Badslov estava do lado de fora a gritar:
- Abra papai! Eu quero sorver o seu plasma!
O Conde apavorado grita:
- Me Deus! Meu filho tem uma alma vampírica!
Essa foi a infância dos irmãos Godsly, mas embora tenha sido terrível, nem de perto poderá ser comparada a sua adolescência...